Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

35 anos, Diplomata, Banguecoque, Tailândia

 

Vim para Lisboa para trabalhar.

(Será que foi só isso?…)

Tinha uma vaga na Embaixada daqui… e eu peguei.

Começo de carreira… todo mundo sabe como é… temos de agarrar as oportunidades.

E Lisboa parecia tão cool … e diferente…

Nunca tinha vindo a Portugal.

Mas esta não foi a minha primeira experiência numa realidade completamente  diferente:

Já tinha vivido alguns anos na Alemanha…

Ter de me adaptar a uma nova cultura – mais uma vez – não seria lá tão complicado…

É… o problema não era esse.

Naquela época eu estava um “pouquinho” perdida…

(só para evitar “superlativos”… como… “completamente” perdida)

E, talvez, eu ainda esteja

Berlim era meu porto seguro… o território conquistado.

Partir para uma nova aventura  não estava nos meus planos.

Mas também… o que eu  tinha a perder??

Meus sonhos e esperanças… estavam todos destruídos.

Ninguém sabe disso… então por favor mantenha em segredo:

 

“Era uma vez uma menininha, que sonhava em ser princesa…

 

Mas agora ela é uma Diplomata… que deixou que os ventos da realidade levassem todas as cartas de amor que guardava escondidas debaixo da cama…”

 

Sim, sim…

…Eu tive um projecto … uma vez.

Mas para concretizá-lo, eu precisava da ajuda de outra pessoa…

que  – definitivamente – não estava interessado em ajudar.

 

Custou-me muito ver isso…

E o meu mundo se desmantelou no momento exacto em que eu finalmente enxerguei.

Um jogo. Só um jogo.

E há algo nas nossas malditas vidas que seja mais do que um jogo infantil?

Meu episódio em Berlim estava – definitivamente  – terminado.

Cheguei em Lisboa com duas malas, um futuro vazio e um coração estilhaçado.

Não procurava  ninguém…

Nem estava interessada em escrever novas “histórias”.

Precisava só de uma folha de papel em branco… e depois…

Logo se vê!

 

Sabe duma coisa?… Nós não somos tão livres quanto acreditamos …

Será que cabe a nós mesmos escolher nossos caminhos? … 

ou seriam os caminhos que nos perseguem?

Um golpe.

Um olhar já foi o suficiente para que me pegasse.

E o que se pode fazer quando as  nossas mãos já estão atadas e os nossos corações entregues?

Três segundos...

Três segundos é tempo suficiente para uma pessoa se perder...

Ou seria mais correcto dizer... abaixar as defesas, abrir-se e deixar que alguém a veja...

Porque – pelo menos eu acho – que o amor é justamente isso...

Permitir que alguém espie a nossa vida...

E se esse alguém tirar a foto certa...

 

 Sabe... as pessoas com quem nos envolvemos funcionam como espelhos da  nossa própria imagem... É exactamente isso!

E se esse alguém consegue tirar o melhor de dentro de nós... não há escapatória.

 

Três segundos.

Em apenas três segundos... ele me mostrou o porquê da existência...

Sete meses...

Em apenas sete meses aceitou tudo o que eu tinha para dar… e algumas coisinhas a mais...

 

Dois dias...

Em apenas dois dias decidiu fugir carregando tudo e me deixando sozinha

COMPLETAMENTE PERDIDA ... de novo...

(Mas ele disse: „Obrigado por tudo. É uma pessoa sensacional...“. Não é simpático?...)

 

Eu li numa revista que… uma pessoa precisa de dois anos para esquecer um amor devastador.

E um cão?

De quanto tempo ele precisa para se acostumar de novo às ruas, depois de ter vivido temporariamente sob os cuidados dum dono devoto?

Dois anos de sofrimento é o suficiente para fazer uma pessoa odiar a vida.

Eu não quero amar… nunca mais!

Mas será que eu sou tão livre quanto eu penso?

Sou eu mesma quem escolhe os meus caminhos… ou

ou são eles que me perseguem?

 


publicado por Beatriz Kolvitz às 10:48
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Uma estrangeira muda-se para Lisboa com o marido. Apaixona-se novamente e decide recomeçar, deixando para trás uma história já vazia de qualquer forma de comunicação. Num bar do Cais do Sodré, alguém nota a sua presença, participando da descoberta de uma cidade e de uma mulher, que poderia ser qualquer mulher de qualquer lugar. É dessas descobertas que fala a peça de teatro "Há mar em Lisboa", cujo guião está a ser desenvolvido neste blog. Participe sugerindo situações, diálogos e cenas, bem como enviando imagens de Lisboa. Ajude-nos a construir uma peça de teatro em movimento e interactiva.

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