Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

26 anos, assistente social Bordeaux, França

 

Vim para Lisboa com o meu namorado.

Tínhamos nos conhecido há apenas duas semanas… em Bordeaux.

Ele deixou Montpellier em busca de algo  que o inspirasse …

não estava numa fase muito criativa…

Um dia, depois de assistir “Lisbon Story” (Wim Wenders),

decidimos fazer as malas e debandar – de carro mesmo.

Experimentar Lisboa… nós dois.

E porque não?

Trabalho como voluntária num projecto europeu.

Ele é escritor.

Tudo parece estar bem.

Eu gosto dele a cada dia mais…

E Lisboa parece (a cada dia mais) estar ligada à minha história com ele.

Tenho certeza  de que vou deixar essa cidade quando o amor acabar…

 

Não entendo porque…

Porque tenho sempre de pensar no fim das coisas boas?

 

Porque não consigo simplesmente “relaxar e aproveitar”…

Lisboa é o nosso cenário… e ficaria muito vazia sem um dos protagonistas…

 

Sentir isso me assusta…

Nunca “precisei” de ninguém...

Será que não?

Não estou acostumada a esse tipo de “dependência”.

 

Mas porque “depender de alguém” tem de ser algo assim… tão perverso?

Não seria só uma consequência de amar?

 

Se tenho medo?…

De perdê-lo?

…sim.

De ficar só?

…é claro que sim.

Mas já passei por momentos suficientemente difíceis para saber que o tempo cura tudo.

A dor definha…

Mas eu não quero esquecer!

Não quero que este sentimento desapareça… Entende?

De alguma forma, gosto de pertencer  a ele.

Não percebo o que exactamente  “ser independente” significa…

Será que alguém pode ser 100% auto-suficiente?

Completamente  livre de afectos e sonhos… e amarras às outras pessoas, ao passado, ao futuro desejado…

 

É… tem razão.

talvez eu seja uma “dependente feliz”…

 

rara.

 



publicado por Beatriz Kolvitz às 10:50
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2 comentários:
De Viagens França a 2 de Julho de 2010 às 14:49
Será que ainda andam por Lisboa?


De Beatriz Kolvitz a 2 de Julho de 2010 às 19:10
nao mais...


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Uma estrangeira muda-se para Lisboa com o marido. Apaixona-se novamente e decide recomeçar, deixando para trás uma história já vazia de qualquer forma de comunicação. Num bar do Cais do Sodré, alguém nota a sua presença, participando da descoberta de uma cidade e de uma mulher, que poderia ser qualquer mulher de qualquer lugar. É dessas descobertas que fala a peça de teatro "Há mar em Lisboa", cujo guião está a ser desenvolvido neste blog. Participe sugerindo situações, diálogos e cenas, bem como enviando imagens de Lisboa. Ajude-nos a construir uma peça de teatro em movimento e interactiva.

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